O órgão de direitos humanos da ONU condenou o Irã na sexta-feira (23) por abusos dos direitos humanos e autorizou uma investigação sobre a repressão recente aos protestos antigovernamentais que matou milhares de pessoas.
“Faço um apelo às autoridades iranianas para reconsiderarem, recuarem e encerrarem sua repressão brutal”, disse o Alto Comissário Volker Turk durante uma sessão de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, expressando preocupação com os detidos.
O conselho aprovou uma proposta que estende uma investigação anterior iniciada em 2022, para que os investigadores da ONU também possam documentar os últimos distúrbios “para possíveis processos legais futuros”.
Grupos de direitos humanos afirmam que transeuntes estavam entre as vítimas da maior repressão desde que os clérigos muçulmanos xiitas assumiram o poder na Revolução de 1979. Teerã responsabiliza “terroristas e vândalos” apoiados por opositores exilados e inimigos estrangeiros como os EUA e Israel.
A missão do Irã na ONU criticou a resolução “politizada” do conselho de direitos humanos e rejeitou a interferência externa, afirmando em um comunicado que possui seus próprios mecanismos independentes e robustos de responsabilização para investigar “as causas profundas dos eventos recentes”.
Vinte e cinco países, incluindo França, México e Coreia do Sul, votaram a favor, enquanto sete, incluindo China e Índia, votaram contra e 14 se abstiveram.
“Este é o pior massacre da história contemporânea do Irã”, disse Payam Akhavan, ex-procurador da ONU de nacionalidade iraniano-canadense, durante a reunião. Ele pediu por um “momento de Nuremberg”, referindo-se aos julgamentos internacionais de líderes nazistas após a Segunda Guerra Mundial.
O embaixador do Irã na ONU em Genebra, Ali Bahreini, disse ao Conselho que a sessão de emergência era inválida e apresentou o número de cerca de 3.000 pessoas mortas nos distúrbios, de acordo com Teerã.
No entanto, um oficial iraniano disse à Reuters que pelo menos 5.000 pessoas, incluindo 500 membros das forças de segurança, haviam sido mortas.
O grupo de direitos HRANA, com sede nos Estados Unidos, afirmou que verificou até o momento 4.519 mortes relacionadas aos distúrbios e que tinha 9.049 mortes adicionais sob análise.
China, Paquistão, Cuba e Etiópia também questionaram a utilidade da sessão de direitos humanos, com o embaixador de Pequim, Jia Guide, chamando os distúrbios no Irã de “um assunto de assuntos internos”.
Ainda não estava claro quem iria arcar com os custos da investigação ampliada da ONU, em meio a uma crise de financiamento que tem paralisado outras investigações.

