De vez em quando surge no streaming um filme que parece promissor à primeira vista, mas rapidamente se revela um grande desperdício de tempo. Infelizmente, Made in Korea é exatamente esse tipo de produção.
Disponível na Netflix, o longa dirigido por Ra Karthik tenta misturar romance, drama cultural e até um pouco de comédia. No papel, a história parecia ter potencial. Na prática, o resultado é um filme desorganizado, previsível e muitas vezes involuntariamente engraçado.
O problema não é apenas a narrativa fraca. É a sensação constante de que o filme não sabe exatamente que história quer contar.
Uma premissa que parece um vídeo turístico
A trama acompanha Shenba, interpretada por Priyanka Mohan, uma jovem que decide viajar para a Coreia do Sul depois de se inspirar em histórias históricas e, claro, nos famosos K-dramas.
Assim que chega a Seul, ela conhece Heo Jun-jae, vivido por Baek Si-hoon, um videomaker que imediatamente se transforma em uma espécie de guia pessoal.
E é aí que começa um dos maiores problemas do filme. Em vez de desenvolver uma narrativa interessante, Made in Korea parece um vídeo promocional do turismo coreano. Tudo funciona perfeitamente, ninguém enfrenta grandes dificuldades e todos os personagens parecem existir apenas para ajudar a protagonista.
A cidade é retratada como um lugar onde absolutamente nada dá errado.

Um drama que nunca convence
Mesmo quando tenta criar tensão, o filme não consegue ser levado a sério. Os poucos antagonistas da história aparecem com atitudes exageradas e caricatas, quase como vilões de novelas melodramáticas. O resultado é que qualquer tentativa de conflito perde impacto rapidamente.
O roteiro também apresenta mudanças de comportamento abruptas nos personagens. Pessoas que são hostis no início simplesmente se tornam gentis no final sem qualquer desenvolvimento convincente. Essas transformações parecem acontecer apenas porque o roteiro precisa chegar a uma conclusão.
Esse tipo de narrativa artificial torna difícil se conectar emocionalmente com a história.
Um romance superficial
Outro elemento que deveria sustentar o filme é o romance entre Shenba e Jun-jae. A química entre Priyanka Mohan e Baek Si-hoon até existe em alguns momentos, mas o roteiro não oferece profundidade suficiente para que o relacionamento realmente importe.
O personagem de Jun-jae praticamente gira em torno da protagonista, ajudando-a constantemente sem que haja um motivo claro para tanta devoção. É o tipo de romance que parece tirado diretamente de uma fantasia inspirada em K-dramas, mas sem o charme ou a complexidade que essas séries costumam ter.
Um cenário que poderia ser qualquer lugar
Talvez o aspecto mais estranho de Made in Korea seja justamente o uso da Coreia do Sul. Apesar de todo o marketing em torno do cenário internacional, a história não depende realmente do país onde se passa. A mesma trama poderia acontecer em qualquer outro lugar do mundo sem grandes mudanças.
O próprio título acaba parecendo mais uma estratégia de marketing do que uma parte essencial da narrativa.
Atuações que tentam salvar o filme
Se há algo minimamente positivo no filme, é o esforço do elenco. Priyanka Mohan consegue transmitir certa simpatia à protagonista, enquanto Park Hye-jin traz um pouco de carisma em sua participação como Yeon-ok, uma idosa que acaba criando uma amizade com Shenba.
Mas nem mesmo boas intenções conseguem salvar um roteiro tão inconsistente.
Um filme fácil de esquecer
No final das contas, Made in Korea não chega a ser um desastre completo, mas também não oferece nada que realmente valha a pena. A história é previsível, os conflitos são fracos e o tom do filme oscila entre drama exagerado e fantasia romântica sem encontrar equilíbrio.
Em um catálogo cada vez mais competitivo no streaming, existem opções muito melhores para assistir. Se a ideia é procurar um bom romance ou uma história envolvente ambientada na Coreia do Sul, talvez seja melhor investir seu tempo em um bom K-drama.

