O vice-presidente dos EUA, JD Vance, expressou nesta segunda-feira (16) apoio à forma como o presidente americano, Donald Trump, estava lidando com a guerra no Irã e disse confiar nele para garantir que “os erros do passado” não se repetissem.
Os comentários de Vance pareceram ser uma tentativa de refutar as dúvidas sobre se suas visões pacifistas e isolacionistas o colocariam em desacordo com Trump. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, Vance não havia oferecido apoio público à ofensiva.
Parte da especulação sobre uma possível divergência foi desencadeada pelos comentários de Trump nas semanas anteriores, de que Vance, que serviu no Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA há duas décadas, era “filosoficamente um pouco diferente” dele e que era “talvez menos entusiasmado” com um ataque ao Irã.
Questionado durante uma coletiva na Casa Branca se concordava com a guerra e se tinha alguma “hesitação”, Vance disse que o presidente sempre afirmou que o Irã não deveria obter armas nucleares e que concordava com ele.
“Acho que uma grande diferença é… temos um presidente inteligente, enquanto que, no passado, tivemos presidentes incompetentes, e confio que o presidente Trump fará o trabalho, fará um bom trabalho para o povo americano e garantirá que os erros do passado não se repitam”, disse Vance ao lado de Trump no Salão Oval.
Vance, que antes se autodenominava um “anti-Trump”, escreveu um artigo de opinião no Wall Street Journal no início de 2023 afirmando que a melhor política externa de Trump foi não ter iniciado nenhuma guerra durante seus primeiros quatro anos de mandato, entre 2017 e 2021.
“Toda a minha vida adulta foi moldada por presidentes que lançaram os Estados Unidos em guerras imprudentes e não conseguiram vencê-las”, escreveu Vance, que também criticou abertamente o envio de bilhões de dólares em armas por Washington para ajudar a Ucrânia a se defender da invasão russa.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam terem destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos sete mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvos do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.

