A minissérie documental O Predador de Sevilha, disponível na Netflix, reacendeu a atenção global para um caso chocante que ficou anos sem solução. A produção detalha como um guia turístico respeitado construiu uma rede de abusos e, por muito tempo, escapou da justiça.
Quem é Manuel Blanco Vela
Manuel Blanco Vela era dono da empresa Discover Excursions, que organizava viagens para estudantes internacionais pela Espanha, Portugal e Marrocos. Ele cultivava uma imagem de confiança, especialmente entre jovens estrangeiras. Segundo diversos relatos, foi justamente essa reputação que facilitou o acesso às vítimas.
Testemunhos em O Predador de Sevilha apontam um padrão recorrente: ele isolava jovens em hotéis, oferecia bebidas e se aproveitava de momentos de vulnerabilidade para cometer abusos.
O papel das vítimas e a denúncia coletiva
O caso visto em O Predador de Sevilha ganhou força graças à coragem de sobreviventes como Gabrielle Vega, que denunciou publicamente o que viveu durante um intercâmbio. Após seu depoimento, dezenas de mulheres passaram a compartilhar experiências semelhantes.
Estima-se que entre 50 e 100 mulheres tenham acusado Blanco Vela de agressões ou tentativas, embora poucos casos tenham avançado judicialmente devido a entraves legais internacionais e à dificuldade de denunciar crimes ocorridos fora do país de origem das vítimas.
A ligação com um caso ainda mais grave
Além das acusações de abuso, o nome de Blanco Vela também foi associado à morte da estudante americana Lauren Bajorek, em 2015, após uma queda de um apartamento em Sevilha. Embora o caso não tenha sido tratado como homicídio, ele foi considerado civilmente responsável, levantando ainda mais suspeitas sobre sua conduta.
Onde está o Predador de Sevilha hoje
Em 2025, a Justiça espanhola finalmente condenou Manuel Blanco Vela por agressões sexuais contra três estudantes americanas. A sentença total foi de oito anos e meio de prisão.
Atualmente, ele cumpre pena na Espanha, embora tenha recorrido da decisão. O caso de O Predador de Sevilha se tornou símbolo da importância da denúncia coletiva e da persistência das vítimas, mostrando como a união pode romper ciclos de impunidade que duram anos.

