Quando Na Mira do Júri surgiu em 2023, sob extensos elogios do público e da crítica, o frescor acerca do projeto o carregou pelo mundo. Entre elogios na internet e indicações a prêmios, a série caiu nas graças de quem assistiu. Parte pela autenticidade, parte por ser muito engraçada e parte pelo carisma quase juvenil de seu desavisado protagonista. Em 2026, a equipe por trás do projeto tenta fazer com que o raio caia duas vezes no mesmo lugar. E, em partes, consegue.
O maior acerto da 2ª Temporada de Na Mira do Júri é justamente não contar com um júri. Ambientada em um novo espaço, a nova empreitada consegue criar novas situações absurdas para desenvolver a ideia para além do conceito da “pegadinha estendida”. Seu grande trunfo, novamente, é o protagonista. Ainda mais desenvolto do que seu enganado antecessor, Anthony é tão simpático e proativo que isso o faz mais suscetível às insanidades do roteiro.
2ª Temporada de Na Mira do Júri perde frescor, mas segue engraçada
Assim, é muito curioso assisti-lo mergulhando, pouco a pouco, nas loucuras das situações e seus colegas de retiro. Como numa espécie de The Office “real”, Na Mira do Júri vai escalando em momentos cada vez mais inacreditáveis. Começa com um comentário aqui, uma atitude ali, até desembocar em um pedido de casamento que é o pico do constrangimento. E aqui, enquanto nos contorcemos de vergonha alheia, sequer saímos do primeiro episódio.
É claro que na 2ª Temporada, Na Mira do Júri perde um pouco do frescor. Afinal, este é um projeto que depende muito da originalidade de seu conceito. Uma vez que a ideia é absorvida e entendida, qualquer desdobramento posterior parece uma tentativa de emular algo que já fora alcançado antes. O roteiro e a direção, em especial, conseguem extrair grandes sequências, mas poucos parecem tão impactantes como os da temporada de estreia.
Novos episódios exploram as loucuras do trabalho – e os preços que se paga para mantê-lo
Enquanto a 1ª Temporada debruçava-se sobre comentários acerca da justiça e do papel das pessoas comuns no curso do emprego da lei, o segundo ano se sai bem ao explorar os absurdos do ambiente de trabalho. É interessante analisarmos, por exemplo, o fato de Anthony aceitar se submeter a certas dinâmicas única e exclusivamente para agradar e manter o novo emprego. Nota-se que o rapaz é naturalmente uma boa pessoa, mas também é impossível negar que ele embarca em situações para manter a “boa vizinhança”.
Além disso, apesar de sua leveza e suas piadas e gags simples, Na Mira do Júri ainda encontra espaço para desenvolver seus coadjuvantes e brincar com dramas corriqueiros do trabalho. Em uma época em que muito se discute o bem-estar dos trabalhadores, é elogiável que isso se faça presente em uma produção tão popular e bem humorada. Afinal, trabalho muitas vezes é uma piada – e é preciso entrar na onda para não enlouquecer.

