A primeira impressão ao dar play em Dear Killer Nannies, no Disney+, pode ser enganosa. Parece mais uma história sobre o universo de Pablo Escobar, algo que o público já viu inúmeras vezes. Mas bastam poucos minutos para perceber que a proposta aqui é completamente diferente.
A série não quer revisitar o cartel. Ela quer mostrar o impacto dele. E faz isso por um ponto de vista inesperado e extremamente humano.
Um olhar íntimo sobre uma infância marcada pela violência
Ao invés de acompanhar a ascensão e queda de Escobar, a série coloca no centro seu filho, Juan Pablo, ainda criança. Conhecido como Juampi, ele é o verdadeiro protagonista da história. E é através dele que tudo ganha outra dimensão.
Logo no início, já fica claro que não estamos diante de um thriller tradicional. A narrativa acompanha a infância de um menino doce, sensível e completamente deslocado dentro de um mundo que não deveria existir para ele.
As chamadas “babás” que cuidam dele são, na verdade, associados do cartel. Pessoas perigosas, que transitam entre o papel de cuidadores e criminosos. E é nesse ambiente que Juampi cresce.
Mais sobre trauma do que sobre crime
O grande acerto de Dear Killer Nannies é não se apoiar na violência como espetáculo. Ela existe, claro. Mas nunca como o foco principal. O que a série realmente explora é o impacto psicológico desse ambiente sobre uma criança.
Juampi presencia situações que nenhum adulto deveria enfrentar, quanto mais um menino de sete anos. E a série mostra como isso se transforma em traumas reais, que voltam em forma de pesadelos, medos e comportamentos cada vez mais duros.
Existe um momento especialmente marcante em que ele testemunha um ato de violência extrema. A cena em si já é forte, mas o que realmente pesa é o que vem depois. A forma como aquilo se instala dentro dele.


Uma narrativa que lembra Sopranos… mas com outra alma
É inevitável comparar a série com The Sopranos, principalmente pela forma como ela trabalha o lado psicológico dos personagens. Mas aqui, a diferença é o ponto de vista.
Enquanto Sopranos analisa a mente de um criminoso, Dear Killer Nannies observa o efeito desse mundo sobre alguém inocente. E isso muda tudo. A série se torna menos sobre crime e mais sobre crescimento forçado, perda de inocência e identidade.
Uma atuação que sustenta tudo
Grande parte do impacto emocional da série vem da performance de Miguel Tamayo, que interpreta Juampi.
Ele consegue transmitir fragilidade, confusão e amadurecimento precoce de forma extremamente natural. É o tipo de atuação que não parece atuação. E isso faz com que o espectador se conecte com o personagem de forma imediata.
Outro ponto forte está na forma como a história é contada. A série alterna momentos da infância, adolescência e até da vida adulta de Juampi, criando uma narrativa que se constrói aos poucos.
Essas transições são fluidas e ajudam a mostrar como cada evento vivido na infância molda quem ele se torna depois. Além disso, a narração do próprio Juan Pablo adulto adiciona uma camada extra de reflexão, quase como uma sessão de terapia.
Vale a pena assistir Dear Killer Nannies?
Sim. E talvez mais do que você imagina. Dear Killer Nannies poderia ser apenas mais uma história sobre narcotráfico. Mas escolhe ser algo muito mais interessante.
É uma série sobre trauma, sobre crescer rápido demais e sobre carregar o peso de uma realidade que você não escolheu. No fim, os momentos mais impactantes não são os tiroteios ou perseguições.
São os silêncios. E é justamente isso que faz essa série se destacar.

