O filme Michael, que chegou aos cinemas cercado de expectativa, também virou alvo de críticas pesadas. E não é só pela forma como conta a história, mas principalmente pelo que escolhe mostrar… e pelo que decide esconder.
A produção, autorizada pelo espólio de Michael Jackson, vem sendo acusada de distorcer fatos importantes da vida do artista, levantando um debate inevitável: até que ponto o filme é fiel à realidade?
O que o filme muda (ou simplesmente inventa)
Um dos exemplos mais comentados é a forma como o longa exagera momentos da carreira de Michael. Em uma das sequências, o cantor é retratado quase como responsável por unir gangues rivais de Los Angeles durante as gravações de Beat It.
É uma cena impactante, mas que entra no campo da dramatização extrema, transformando um episódio real em algo muito maior do que realmente foi. Isso porque aquele ponto, de fato, nunca aconteceu.
Outro ponto que chama atenção é a ausência de figuras importantes na narrativa. O filme praticamente ignora a presença de Janet Jackson em momentos-chave da vida familiar, o que distorce a dinâmica real do clã.
O silêncio mais polêmico
Mas a maior crítica está no que o filme não mostra. As acusações de abuso que marcaram a vida de Michael Jackson simplesmente não aparecem na história. Nada é mencionado, nem mesmo de forma indireta.
Esse apagamento não aconteceu por acaso. O longa passou por refilmagens caras justamente para remover qualquer referência a essas controvérsias, alterando inclusive o final da história para focar em momentos mais “seguros”, como a recuperação após o acidente com a Pepsi.

Um retrato “limpo” demais?
Essa escolha gerou reações até dentro da própria família. Paris Jackson, filha do cantor, chegou a classificar o filme como “desonesto” e cheio de imprecisões. E é aí que entra a principal crítica: Michael funciona mais como uma celebração do artista do que como uma biografia completa.
Então é tudo mentira?
Não exatamente. O filme acerta ao mostrar o talento, o impacto cultural e a trajetória meteórica de Michael Jackson. Mas falha ao evitar os aspectos mais controversos, criando uma versão parcial da história.
No fim das contas, Michael não é um retrato definitivo. É uma versão construída.
E cabe ao público decidir se isso é suficiente… ou se ficou faltando a parte mais importante da verdade.

