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filme da Netflix prende, mas fica devendo mais do que promete


Tem filme que viraliza rápido na Netflix e a gente já sabe mais ou menos o que esperar. O Jogo do Predador, ou simplesmente Apex, entra exatamente nesse lugar. Ele tem uma premissa forte, um elenco chamativo e aquela estrutura que parece pronta para te prender do início ao fim. Só que, assistindo, a sensação que fica é um pouco mais dividida.

Eu comecei o filme bem dentro da proposta. Uma história de sobrevivência, um jogo de caça humana, tensão em um ambiente isolado. Tudo isso costuma funcionar muito bem quando é bem executado. E, em alguns momentos, Apex realmente acerta. Mas também dá a impressão de que poderia ter ido muito além.

Quando a ideia é boa, mas demora a engrenar

A base da história de O Jogo do Predador acompanha Sasha, interpretada por Charlize Theron, uma alpinista que tenta lidar com traumas do passado enquanto se aventura em um ambiente selvagem na Austrália. Existe ali um potencial interessante, principalmente na construção emocional da personagem, mas o filme demora demais para transformar isso em algo realmente envolvente.

O problema é que o conflito principal, que é a caça liderada por Ben, vivido por Taron Egerton, leva um tempo considerável para começar de verdade. E, até isso acontecer, o roteiro aposta em situações que parecem mais preencher espaço do que construir tensão.

Quando finalmente a perseguição ganha força, o filme melhora. Só que aí já existe uma sensação de que ele perdeu tempo demais tentando preparar algo que não precisava de tanta preparação assim.

Um vilão que sustenta o filme quase sozinho

Se tem algo que realmente funciona em Apex, é o personagem de Ben. E isso passa diretamente pela atuação de Taron Egerton. Existe uma energia imprevisível nele que ajuda a elevar o nível de tensão, principalmente nos momentos em que ele aparece mais próximo da protagonista.

Ele consegue equilibrar um lado quase animal, impulsivo, com pequenas nuances que deixam o personagem mais interessante do que o roteiro inicialmente sugere. E isso faz diferença, porque o filme depende muito dessa dinâmica de caça para funcionar.

Por outro lado, a Sasha de Charlize Theron acaba ficando um pouco distante. Não por falta de entrega da atriz, que se compromete bastante nas cenas físicas, mas porque o roteiro não dá profundidade suficiente para que a gente se conecte de verdade com ela. Existe uma barreira ali que o filme O Jogo do Predador nunca consegue quebrar completamente.

o jogo do predador filme
Imagem: Divulgação.

Entre o survival e o thriller, o filme não se decide

Uma das coisas que mais me chamou atenção em O Jogo do Predador é essa indecisão de tom. Em alguns momentos, ele tenta ser um thriller psicológico. Em outros, abraça mais a ideia de sobrevivência pura. E essa falta de definição acaba afetando o ritmo.



Tem cenas muito boas de ação, principalmente envolvendo o uso do ambiente natural. As sequências em rios, quedas e perseguições funcionam bem e mostram um cuidado interessante na direção. Mas, ao mesmo tempo, o filme não consegue manter uma consistência narrativa que sustente essa tensão até o final.

Fica aquela sensação de que ele tinha todos os elementos para ser um thriller mais marcante, mas opta por caminhos mais seguros.

Vale a pena assistir O Jogo do Predador?

No fim das contas, O Jogo do Predador é aquele filme que funciona melhor no momento do que depois. Ele te prende em partes, tem sequências intensas e um vilão que segura bem a experiência, mas não deixa muito depois que acaba.

Não é um desastre, longe disso. Só não é tudo o que poderia ser.

E talvez seja justamente isso que explique por que ele está bombando na Netflix. É fácil de assistir, tem ritmo em alguns momentos e entrega tensão suficiente para manter o público ali. Mas, olhando com um pouco mais de calma, fica claro que Apex tinha potencial para ser muito mais do que apenas um entretenimento passageiro.



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