Eu queria muito dizer que a 2ª temporada de Citadel finalmente encontrou o caminho que prometia lá no começo. Principalmente porque a primeira já tinha deixado aquela sensação de potencial não aproveitado. Só que, assistindo aos novos episódios, o que fica é algo bem parecido com antes, só que agora com mais explosões, mais locações e um esforço ainda maior para parecer grandiosa.
O problema é que isso não é suficiente.
A série claramente tenta corrigir algumas falhas do primeiro ano. A narrativa está um pouco mais organizada, o ritmo em certos momentos funciona melhor e existe uma tentativa mais clara de dar peso emocional aos personagens. Mas, no fundo, tudo ainda parece muito familiar, como se a história estivesse sempre andando em círculos dentro de um gênero que já foi explorado de todas as formas possíveis.
Mais ação, mais escala… e menos impacto
Não dá para negar que Citadel cresce quando abraça a ação. As sequências são bem coreografadas, rápidas, visualmente impressionantes e, em alguns momentos, realmente empolgantes. Existe um investimento claro em transformar a série em um espetáculo global, com cenários amplos e situações de alto risco o tempo todo.
Só que o intervalo entre esses momentos pesa. Porque, enquanto a ação não acontece, a série tenta sustentar uma trama que nunca parece tão interessante quanto acha que é. A história gira em torno de ameaças globais, conspirações e aquele velho recurso de tecnologia perigosa capaz de destruir o mundo, mas tudo isso soa previsível demais. Falta tensão real, falta novidade, falta aquele elemento que faz você se importar com o que está acontecendo.


Personagens que não acompanham o tamanho da produção
Outro ponto que me incomodou foi a forma como os personagens continuam superficiais. Priyanka Chopra Jonas até consegue trazer alguma intensidade para Nadia, especialmente quando a série tenta explorar o peso emocional das escolhas dela, mas isso nunca vai muito além do básico.
Já Richard Madden parece preso a um personagem que não evolui, que reage mais do que age, e que não transmite o protagonismo que a série precisa. No meio disso tudo, quem acaba roubando a cena é Stanley Tucci, que traz leveza e carisma mesmo com pouco espaço, sendo um dos poucos momentos em que a série realmente ganha vida.
O restante do elenco acaba ficando perdido em uma história que não oferece profundidade suficiente para ninguém brilhar de verdade.
Uma série bonita, mas esquecível
O mais frustrante em Citadel é que dá para ver o investimento em cada detalhe. A produção é grande, bem acabada, visualmente impressionante. Existe claramente um projeto ambicioso por trás, tentando criar uma franquia global de espionagem.
Mas ambição sem identidade não sustenta.
A 2ª temporada até melhora alguns pontos, principalmente na forma como organiza sua narrativa e trabalha melhor os momentos de ação. Só que, no fim, continua faltando aquilo que realmente faz diferença. Personalidade, risco, algo que a destaque em meio a tantas outras histórias de espionagem que a gente vê o tempo todo.
E é isso que mais pesa. Porque Citadel não é ruim, só não é memorável. Para uma série que quer ser grande, isso talvez seja o maior problema de todos.

