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Como Os Testamentos me devolveu o amor por The Handmaid’s Tale


Existe uma sensação muito estranha, que Os Testamentos recentemente me lembrou. O de quando uma série que você amou profundamente começa a perder parte da própria força. Não necessariamente porque ficou ruim, mas porque o peso de tantos anos acaba desgastando aquilo que antes parecia impossível de ser replicado. E foi exatamente assim que eu me senti com The Handmaid’s Tale nos últimos anos.

Ainda acho que a temporada final teve momentos grandiosos. A recuperação de Boston, o avanço contra Gilead e a sensação de que aquele regime finalmente começava a ruir deram à série um encerramento visualmente poderoso e emocionalmente necessário. Existia algo quase épico em ver aquele mundo começar a desmoronar depois de tanta dor acumulada.

Mas ao mesmo tempo, é impossível ignorar que The Handmaid’s Tale passou por um desgaste natural ao longo do caminho.

The Handmaid’s Tale perdeu parte da força que teve no início

As primeiras temporadas de The Handmaid’s Tale continuam sendo algo praticamente impossível de reproduzir na televisão moderna. A sensação de horror constante, a direção sufocante, o silêncio desconfortável, a fotografia fria e principalmente o medo permanente que existia em cada episódio criavam uma experiência muito única.

A série parecia uma ferida aberta. Só que conforme avançava, ela começou a girar em círculos algumas vezes. June escapava e voltava. Vilões se redimiam e depois retrocediam. Conflitos emocionais eram reciclados constantemente.

Em alguns momentos, parecia que a produção estava mais preocupada em prolongar sua existência do que realmente evoluir sua narrativa. E isso acabou transformando parte daquela tensão original em algo quase cansativo.

Ainda existiam episódios excelentes, claro. Ainda existia Elisabeth Moss entregando atuações absurdas. Mas aquela sensação visceral das temporadas iniciais já não era mais a mesma.

E honestamente? Eu não esperava que uma continuação fosse conseguir recuperar isso.

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Imagem: Divulgação.

Os Testamentos conseguiu reencontrar a alma daquele universo

Foi aí que Os Testamentos me pegou completamente de surpresa. Porque ao invés de apenas repetir The Handmaid’s Tale, a série encontrou uma nova maneira de explorar Gilead sem cair na mesma repetição emocional.



Os Testamentos entende perfeitamente que o público já conhece o horror daquele mundo. Então, ao invés de focar apenas no sofrimento extremo, ela passa a explorar algo diferente: a juventude crescendo dentro daquela realidade.

E isso muda tudo.

A série traz emoção, humanidade e até beleza para Gilead

Uma das coisas mais fascinantes em Os Testamentos é justamente ver Gilead através das meninas conhecidas como “Plums”, filhas da elite dos Comandantes.

Pela primeira vez, o universo ganha cores mais vivas, quartos iluminados, amizades adolescentes, crushes inocentes e até momentos de leveza. E isso poderia ter sido um erro gigantesco.

Mas funciona justamente porque a série nunca deixa você esquecer o horror escondido por trás daquela estética quase bonita demais.

Existe algo profundamente perturbador em assistir garotas vivendo experiências típicas de adolescência enquanto lentamente descobrem que estão presas dentro de um sistema monstruoso.

Os Testamentos cria contraste emocional. Algo que The Handmaid’s Tale, especialmente nas últimas temporadas, quase já não conseguia mais fazer porque tudo era sofrimento o tempo inteiro.

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Imagem: Disney+

Agnes e Daisy devolvem humanidade à narrativa

Outro ponto fundamental é que Agnes e Daisy conseguem trazer de volta algo que The Handmaid’s Tale perdeu aos poucos: vulnerabilidade genuína.

June acabou se tornando quase uma figura messiânica nas temporadas finais. Uma sobrevivente tão imbatível que muitas vezes parecia mais símbolo do que pessoa.

Já Agnes e Daisy ainda estão descobrindo quem são. Elas têm medo, dúvidas, ingenuidade e conflitos muito humanos. E isso faz com que a emoção volte a funcionar de maneira muito mais orgânica.

Especialmente porque Os Testamentos trabalha amizade, crescimento, identidade e descoberta pessoal junto do horror político de Gilead.

Os Testamentos encontrou algo que The Handmaid’s Tale perdeu: espaço para respirar

Talvez essa seja a maior qualidade da nova série. Os Testamentos finalmente entende que nem toda cena precisa ser devastadora para Gilead continuar assustadora.

Existe espaço para sonhos adolescentes, romances, amizades e pequenas alegrias. Mas justamente por existir esse respiro, o peso da violência e da opressão volta a atingir muito mais forte quando aparece.

E isso me lembrou exatamente por que eu me apaixonei por esse universo lá no começo. Porque The Handmaid’s Tale nunca foi apenas sobre sofrimento. Era sobre resistência humana dentro do sofrimento.

Os Testamentos finalmente recupera isso. E talvez tenha sido exatamente isso que devolveu meu amor por essa franquia.



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