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Comentários depreciativos sobre famosas feitos por Vorcaro e diretor da Globo não são novidade nos bastidores da TV


Mulheres do universo artístico continuam a ser alvo de machismo e objetificação sexual apesar da mobilização crescente por respeito

16 out
2026
– 10h47

(atualizado às 10h47)

Deborah Secco, Sabrina Sato e Monique Alfradique foram citadas nas conversas vazadas de Daniel Vorcaro, do Master.

Em trocas de mensagens do banqueiro com o então CEO de Mídia Impressa do Grupo Globo, Fred Kachar, houve comentários pejorativos sobre a aparência delas e a suposta facilidade para seduzi-las.

Essa visão desrespeitosa faz parte de uma cultura machista que há décadas marca diferentes ambientes artísticos, inclusive os bastidores da TV Globo.

Em alguns episódios, não foram apenas palavras em sigilo. Atrizes como Luana Piovani e Giselle Itié revelaram o assédio de dois diretores que usaram o poder do cargo na emissora.

O chamado ‘teste do sofá’ não é lenda: houve casos em que mulheres relataram exigências ou insinuações sexuais associadas a oportunidades profissionais. 

Atrás das câmeras, também eram naturalizados comentários sobre o corpo das artistas e supostas aventuras sexuais com elas, compartilhados sem constrangimento.

Ingrid Guimarães relatou que um diretor de TV disse que ela não tinha beleza facial para ser protagonista de novela, mas elogiou sua barriga.

Ainda em início de carreira, a atriz se sentiu induzida a sempre deixar o umbigo à mostra para ser notada. Somente anos depois se deu conta daquele absurdo.

Quando a influência e o dinheiro alimentam a sensação de que mulheres estão disponíveis para avaliação, conquista ou exibição, o desrespeito é tratado com algo normal.

O silêncio de quem presencia essas situações ajuda a perpetuar uma cultura de desvalorização feminina que deveria ter ficado no passado.

Nos últimos anos, algumas denúncias derrubaram carreiras e movimentos sociais ampliaram a consciência sobre os abusos, mas persiste a cultura que trata a aparência da mulher como assunto público e o desejo masculino como justificativa para o comportamento inadequado.

Famosas e anônimas continuam sua luta diária por igualdade de gênero e respeito. Um desafio que permanece longe de ser superado.




Nos bastidores da TV, os comentários sobre o corpo feminino se tornaram algo trivial

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Foto: Ilustração feita por IA



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