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O Mandaloriano e Grogu vale a pena pela simplicidade e aventura


Star Wars é uma cria do Cinema. Apesar de sempre ter flertado com a TV, a franquia nasceu e virou fenômeno na tela grande. Com a mudança dos formatos, em especial com a chegada do streaming, a criação de George Lucas precisou ser ressignificada. Foi assim que novos projetos surgiram, fortalecendo a marca e criando novas possibilidades para o universo. A série e o filme O Mandaloriano e Grogu talvez sejam o melhor projeto desta nova era.

Grande parte deste acerto vem justamente do retorno às raízes. É na volta aos conceitos de Uma Nova Esperança, por exemplo, que O Mandaloriano e Grogu e sua série original ressuscitam o poder de Star Wars. O primeiro filme da franquia, que na época ainda se chamava Guerra nas Estrelas, reverberava com público e crítica por causa de sua objetividade e mistura de complexidade mitológica com narrativa simples. Na estreia, os personagens iam do ponto A ao ponto B para realizar uma missão e conquistar algo.

Ainda vale a pena ver Star Wars?

Com o tempo, Star Wars tornou-se mais complexa. Logo em O Império Contra-Ataca já é percepctível a intenção de tornar o universo e seus habitantes mais completos, multifacetados. Essa espécie de “adultização” fica totalmente evidente em A Ameaça Fantasma, lançado em 1999. No filme, George Lucas carrega as tramas políticas e trabalha pesado para desenvolver um mundo crível e detalhado. É, em resumo, um aprofundamento do que antes era apenas uma fantasia.

Hoje, a franquia se divide nestes dois espectros. Andor traz este lado político, sério, socialmente ativo. Já O Mandaloriano é um mergulho no bom e velho escapismo de outrora. Não espanta, portanto, que o filme O Mandaloriano e Grogu, que continua a série da Disney+, seja uma aventura notavelmente descompromissada. No novo longa de Jon Favreau não há a intenção de discutir os pormenores políticos do Império, República, Senado ou mesmo dos rebeldes. No novo capítulo de Star Wars a intenção é muito clara: ir do ponto A ao ponto B para realizar uma missão. E não há mal algum nisso.

O Mandaloriano e Grogu é bom? Vale a pena ver no cinema?

O Mandaloriano e Grogu o que lembrar
Imagem: Divulgação/Disney+

Fãs e críticos, contudo, têm reclamado desta simplicidade de O Mandaloriano e Grogu. Para alguns, Star Wars precisa sempre ter uma grande participação especial, ou uma chocante revelação para valer a pena. Não é à toa que o roteirista de Rogue One (e que viria a criar Andor anos depois) tenha se arrependido da aparição de Darth Vader no filme. Apesar de ser uma sequência empolgante e visualmente arrebatadora, a participação do vilão, segundo o escritor, roubou o destaque de personagens e tramas mais importantes. Hoje, ele afirma, não colocaria Vader na trama. À época, contudo, precidou encaixá-lo para cumprir uma demanda do estúdio e do público.

O Mandaloriano e Grogu, por sua vez, se debruça cegamente na força e carisma de seus dois protagonistas. Não espera pontas de atores e personagens famosos, nem easter eggs muito chamativos. O foco aqui é a aventura – e o filme se sai maravilhosamente bem neste aspecto. Sob o comando de Jon Favreau, que criou e dirigiu boa parte da série, o longa é como um grande episódio estendido. O Mandalorian segue realizando serviços em troca de dinheiro e redença. Grogu segue agarrado em suas costas.

No novo filme, o anti-herói vivido por Pedro Pascal precisa fazer um serviço para os perigosos Hutts, de modo que eles forneçam uma informação sigilosa acerca de uma grande ameaça. O Mandaloriano começa a executar a sua missão até que tudo fica mais difícil ao perceber que nem tudo é o que parece. Agora, ao lado de seu companheiro Grogu, ele precisa recalcular a rota enquanto tenta alcançar o objetivo principal da missão.

Filme aposta na simplicidade e se sai bem por isso

Sem grandes reviravoltas, O Mandaloriano e Grogu basicamente salta de uma sequência de ação para a outra, o que mantém o ritmo sempre constante. Neste aspecto, Favreau, que também comandou Homem de Ferro, se sai muitíssimo bem. Talentoso na condução da ação, o cineasta concebe cenas coesas, com excelente edição. Em especial, a sequência envolvendo uma briga generalizada em uma arena se destaca, já que cada combatente possui um tamanho e uma habilidade diferentes. Nada fica confuso e, felizmente, o filme vai na contramão de uma tendência recente. Enquanto a maioria dos blockbusters aposta na escuridão, O Mandaloriano e Grogu brincam com luzes, cores e uma fotografia bem planejada.

Além disso, a trilha sonora do vencedor do Oscar Ludwig Goransson pontua cada cena com precisão. Desde o tom épico da ação até os momentos mais intimistas entre os personagens, a trilha conduz o espectador por uma montanha russa de aventuras ininterruptas. Assim, quando o tema central da série ecoar pela sala de cinema, não será difícil voltar imediatamente para o conforto da franquia. E é isso, no final, que talvez tenhamos que buscar nos filmes de Star Wars: aventura, conforto, visuais arrojados e personagens carismáticos. Neste sentido, O Mandaloriano e Grogu não ficam devendo.





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