Quando a Netflix anunciou The Boroughs, muita gente acreditou que essa seria apenas mais uma tentativa de repetir a fórmula de Stranger Things. Só que a série acabou encontrando um caminho muito mais interessante, e atualmente é uma das produções mais comentadas na plataforma de streaming.
Parace que, parte do sucesso de The Boroughs vem por responder uma pergunta que Stranger Things nunca precisou fazer: o que sobra depois que a juventude passa?
Talvez seja esse o motivo que esteja transformando a produção em um dos novos sucessos inesperados da plataforma.
Na história, um grupo de idosos passa a enfrentar acontecimentos sobrenaturais dentro de uma pequena comunidade no deserto enquanto tenta lidar não apenas com monstros e mistérios, mas também com envelhecimento, memória, luto e sensação de fim de vida.

Série transforma nostalgia em algo muito mais melancólico
Não há dúvidas de que existe claramente DNA de Stranger Things aqui. A produção dos irmãos Matt Duffer e Ross Duffer aposta novamente em criaturas estranhas, paranoia coletiva, passagens secretas e uma comunidade tentando sobreviver a algo inexplicável. Tudo muito familiar. Só que há um detalhe intrigante, que traz a mudança de perspectiva como o grande motor da história.
Isso porque, ao invés de transformar nostalgia em aventura adolescente, The Boroughs usa o sobrenatural para falar sobre envelhecimento.
A série acompanha personagens lidando com medo da morte, solidão, perda de memória e a sensação desconfortável de perceber que talvez reste pouco tempo para consertar erros ou encontrar algum propósito. Assim, ela dá uma camada emocional muito mais melancólica para a história.
Elenco virou o verdadeiro coração da série
Outro detalhe importante para o sucesso é o elenco. Alfred Molina, Geena Davis, Alfre Woodard e Clarke Peters praticamente carregam a série nas costas. Não que a história seja ruim. Mas a atuação deles, sem dúvida, é um trunfo e um charme a mais.
Boa parte da força emocional vem justamente da química entre personagens que já viveram quase tudo e agora tentam entender o que ainda vale a pena preservar antes do fim.
Com isso, a série encontra um peso muito diferente justamente porque seus protagonistas já conhecem perda, arrependimento e luto de uma forma que adolescentes simplesmente não conseguiriam representar.

The Boroughs virou série de boca a boca
E para fechar o pacote, é importante ressaltar que The Boroughs claramente virou uma produção movida por recomendação. A série estreou com 95% de aprovação no Rotten Tomatoes e rapidamente entrou no Top 5 global da Netflix poucos dias após o lançamento. Nos Estados Unidos, chegou ao segundo lugar da plataforma, atrás apenas de Nemesis. Atualmente, no Brasil, ela ocupa a quarta posição das mais assistidas. Isso significa que, quem está assistindo está recomendando, ou seja, o melhor marketing de todos.
Portanto, o aspecto mais interessante de The Boroughs é justamente essa ideia de “nostalgia adulta”. A série entende que o público que cresceu assistindo Spielberg, Stephen King e aventuras dos anos 80 também envelheceu. Agora, os medos são outros. Não existe apenas o medo do monstro escondido no escuro. Existe o medo de perder tempo. De perder memória, ou pessoas. E, além disso, de perceber que talvez não exista mais tanto futuro pela frente.
É justamente isso que faz The Boroughs parecer tão diferente dentro da própria fórmula criada pelos irmãos Duffer, e que fez dela a maratona imperdível para os fãs neste final de semana.
The Boroughs já está completa na Netflix.

