O filme Agente Zeta chega com uma proposta bem clara. Ser a resposta espanhola ao estilo de franquias como Jack Ryan e Citadel, apostando em espionagem global, ação intensa e um protagonista carismático.
Mas a pergunta que fica depois de assistir é direta: ele realmente entrega algo novo ou só repete a fórmula?
Do que se trata a história de Agente Zeta?
A trama acompanha Zeta, um agente da inteligência espanhola que estava afastado para cuidar da mãe. Ele é puxado de volta quando quatro espanhóis são assassinados em diferentes partes do mundo. A investigação revela uma conexão com uma operação antiga na Colômbia chamada “La Ciénaga”. E aí entra o clássico elemento do gênero: segredos do passado voltando para cobrar seu preço.
A missão vira uma corrida contra o tempo para encontrar um quinto envolvido, que pode ser a chave de tudo.
O começo empolga de verdade
O filme Agente Zeta começa muito bem. E isso precisa ser dito. A abertura tem ritmo, estilo e até personalidade. A sequência na favela do Rio de Janeiro, por exemplo, é tensa, dinâmica e mostra que o filme sabe trabalhar ação quando quer.
Além disso, o primeiro embate entre os personagens principais funciona. Existe energia ali, um clima de jogo de gato e rato que prende. Nesse início, dá a sensação de que você está diante de um thriller de espionagem acima da média.

O problema: explicação demais, emoção de menos
Só que essa empolgação não dura. Depois do primeiro ato, Agente Zeta desacelera de forma brusca. E o motivo é simples: o roteiro começa a explicar tudo. E quando eu digo tudo, é tudo mesmo.
A narrativa passa a depender de diálogos expositivos, reuniões e explicações intermináveis entre agências. O ritmo vai embora, e o suspense perde força. O que poderia ser um mistério envolvente vira algo previsível, principalmente para quem já viu esse tipo de história antes.
Um filme que você já viu… várias vezes
Aqui está o ponto central.
A estrutura do filme é extremamente familiar:
- Uma operação antiga
- Um segredo enterrado
- Traições dentro do sistema
- Cartéis e política internacional no meio
Nada disso é ruim por si só. O problema é que falta um diferencial. Filmes e séries de espionagem conseguem se destacar quando trazem profundidade, tensão psicológica ou personagens memoráveis. Aqui, tudo funciona… mas nada marca.
Ação segura, mas sem impacto duradouro
O filme até tenta compensar isso com ação. E em alguns momentos consegue. As cenas são bem executadas, o protagonista tem presença e há uma tentativa clara de criar uma identidade mais “latina” dentro do gênero.
Só que, sem uma história mais envolvente, essas sequências acabam parecendo isoladas. Elas impressionam na hora, mas não ficam com você depois.
Vale a pena assistir Agente Zeta? O filme é bom?
Sim… mas com expectativas controladas. Agente Zeta é aquele tipo de filme que funciona para um entretenimento rápido. Você dá o play, acompanha sem esforço e se diverte em alguns momentos.
Por outro lado, se você espera algo no nível de grandes thrillers de espionagem, pode sair um pouco frustrado. No fim, ele parece mais um teste. Uma tentativa do Prime Video de criar seu próprio “herói de espionagem”. E até existe potencial ali. Mas, do jeito que está, Agente Zeta ainda não encontrou sua identidade.
Agente Zeta começa melhor do que termina. Tem um início promissor, boas cenas de ação e um protagonista que segura o filme. Mas se perde em explicações, previsibilidade e falta de ousadia.
Vale assistir? Vale. Mas dificilmente vai ser aquele filme que você vai lembrar daqui a alguns meses.

