Desde sexta-feira (30), especialistas em assuntos do Federal Reserve e analistas de mercado têm se debruçado sobre o currículo de Kevin Warsh, o novo indicado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a presidência do banco central norte-americano, tentando decifrar as entrelinhas para determinar que tipo de chair do Fed ele será, caso seja aprovado pelo Senado.
O próprio Trump afirmou explicitamente que quem quer que ele escolhesse para a presidência do Fed teria que seguir as suas ordens. “Qualquer um que discorde de mim jamais será presidente do Fed!”, publicou ele nas redes sociais em dezembro.
A indicação para a liderança do Fed é, sem dúvida, a mais importante de todo o mandato de um presidente. Warsh seria um dos 12 votos no Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) e não pode agir unilateralmente.
Seguindo a visão de Trump, qualquer um que se candidate ao cargo está se preparando para uma tarefa bem difícil: convencer o mercado de que é independente, ao mesmo tempo que precisa atender às vontades do presidente.
O presidente dos EUA há anos reclama que deveria ter mais influência direta sobre o Fed e anunciou Warsh como escolha para substituir Jerome Powell, cujo mandato à frente do Fed termina em maio.
Warsh é graduado em Stanford, formado em Direito por Harvard, com experiência no Morgan Stanley e a pessoa mais jovem a ser nomeada para o Conselho de Governadores do Fed.
O clima em Wall Street na sexta-feira (30) era de alívio moderado. Parte desse alívio, porém, foi atenuado desde então, à medida que os observadores se concentraram na interpretação de Warsh sobre a recuperação econômica pós-2008, considerando o histórico dele como um forte defensor de uma política monetária hawk (preferindo taxas de juros mais altas), bem como na mudança repentina de postura em relação aos riscos de inflação quando Trump foi reeleito.
Na segunda-feira (2), quaisquer preocupações remanescentes sobre Warsh foram em grande parte deixadas de lado, enquanto Wall Street voltava a atenção para os dados da indústria manufatureira dos EUA.
Em resumo, Trump quer taxas de juros mais baixas para impulsionar o crescimento econômico.
Trump ameaçou repetidamente demitir Powell. Ele tentou demitir Lisa Cook, uma governadora do Fed nomeada pelo presidente Joe Biden, sob acusações de fraude hipotecária. Cook, que não foi acusada de nenhum crime, nega as alegações, e espera-se que a Suprema Corte se pronuncie em breve sobre a legalidade de sua demissão. E, mais recentemente, o Departamento de Justiça iniciou, no mês passado, uma investigação criminal contra o Fed e Powell, citando estouros de orçamento na sede do banco central (uma escalada dos ataques de Trump que provocou, inclusive, uma repreensão pública de Powell).
Com esse contexto no radar, pode-se dizer que Kevin Warsh terá que lidar, de certa forma, com uma situação complexa, caso o Senado aprove a indicação de Donald Trump.

