O grupo chinês chinês CTF (iniciais de Chow Tai Fook), dono da BM Empreendimentos, que controla a Cidade Matarazzo, moveu uma ação contra a Gafisa por, supostamente, copiar elementos do projeto em seu novo empreendimento Allard Oscar Freire.
Allard é uma referência ao empresário francês Alexandre Allard, sócio na BM e idealizador do hotel Rosewood, com quem o grupo chinês trava uma disputa judicial e societária no seis estrelas.
No processo, obtido pelo Painel S.A., a BM afirma que a Gafisa, parceira de Allard no novo empreendimento, praticou “concorrência desleal de natureza parasitária ao reproduzir elementos estéticos, conceituais e arquitetônicos do projeto original [o Cidade Matarazzo]”, onde fica localizado o hotel Rosewood, em São Paulo.
Entre os indícios apresentados estão a adoção do símbolo “M” como emblema visual com tipografia similar ao da Cidade Matarazzo. A maneira como a Gafisa promove a venda do empreendimento também seria semelhante, segundo o processo.
Por isso, a BM pediu à Justiça que obrigue a incorporadora a cessar imediatamente qualquer forma de associação, direta ou indireta, entre seu novo empreendimento imobiliário e o Cidade Matarazzo —isso como medida cautelar (antes do julgamento do mérito).
A BM acusa a Gafisa de, deliberadamente, se apoiar no prestígio do Cidade Matarazzo, induzindo clientes, corretores e outros agentes do mercado a associar os dois empreendimentos como “irmãos”.
O grupo controlado pela CTF diz que o uso indevido da marca Cidade Matarazzo pode abrir precedente para novas reproduções não autorizadas, gerando repercussão negativa para o empreendimento original.
Se isso ocorrer, qualquer conflito ou desgaste decorrente das associações recai sobre o Cidade Matarazzo, um investimento de luxo, arte e tecnologia, escreve o grupo chinês na ação.
Como revelou o Painel S.A., Allard já foi diluído de 40% para 35% em sua participação no Rosewood por não ter arcado, no ano passado, com um pagamento inicial de R$ 60 milhões para pagar as obras do luxuoso seis estrelas construído na complexo Cidade Matarazzo.
Allard, por sua vez, acusa os chineses de tentarem aumentar sua participação na empresa e foi à Justiça contra o sócio, afirmando ter sido alvo de espionagem corporativa e de usurpação de direitos autorais.
A disputa em torno do controle do hotel não se estende a outro negócio controlado por Allard, a BM Varejo, responsável pelo centro comercial e demais ramos de negócio do grupo.
É nessa frente que Allard acusa os sócios de usurpação, porque não consegue usar a marca Rosewood, um empreendimento que contém traços autorais que ele afirma terem sido criados por ele.
Consultada, a Gafisa disse que não foi citada, nem notificada do processo. No entanto, informou que tem parceria com o mesmo criador do Cidade Matarazzo, sendo fruto desta parceria um empreendimento residencial de luxo que, em muito, difere do empreendimento operado pela BM.
Com Stéfanie Rigamonti
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Fonte: Uol

