No pente-fino iniciado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para mapear o modus operandi do Grupo Master e da Reag Investimentos, a autarquia verificou a existência de mais de 200 processos que foram abertos por suas superintendências para apurar eventuais irregularidades.
Segundo apurou o CNN Money, parte dos processos contra o conglomerado do Master já foram arquivados, outra levou à assinatura de termos de compromisso, uma fatia ficou represada na SIN (Superintendência de Supervisão de Investidores Institucionais) e uma parcela virou acusação.
Durante a análise minuciosa dos documentos, o grupo de trabalho criado pela CVM para esta finalidade identificou a existência de processos com indícios de operação fraudulenta.
Inicialmente, a equipe da autarquia havia mapeado 126 processos envolvendo a Reag e o Master, mas o número aumentou depois de um novo levantamento.
O volume superior a 200 processos considera processos do conglomerado do Master, da Reag Investimentos e de outras entidades conexas.
Fontes ouvidas pela reportagem afirmaram que a CVM levantou, inclusive, processos que foram abertos na época que o Banco Master se chamava Banco Máxima, sob comando de Daniel Vorcaro.
O grupo de trabalho foi oficialmente criado pela CVM no início de fevereiro. Durante o processo, a autarquia levantou informações relacionadas à atuação das áreas de supervisão, fiscalização e acusação quanto à abertura de procedimentos ao longo dos últimos anos, às comunicações já realizadas a outros órgãos públicos, bem como ao andamento interno de inquéritos correlatos.
A partir do trabalho que vem sendo conduzido internamente, a CVM quer detectar possíveis interconexões que passaram despercebidas nos processos em andamento, especialmente quando vierem de diferentes superintendências, segundo apurou o CNN Money.
Munida dessas informações, a autarquia já avalia que poderá haver propostas de melhorias estruturais em regulação, supervisão, governança processual e cooperação institucional.
Nos bastidores, a expectativa é de que as atividades do colegiado tragam, ao menos, efeitos na estrutura interna da CVM, como otimização de procedimentos e integração entre áreas.
O resultado preliminar das investigações internas deve ser apresentado nesta terça-feira (24) pelo presidente da CVM, Joao Accioly, à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado.
Em nota, a CVM afirmou que o grupo de trabalho tem por finalidade consolidar e sistematizar fatos, processos e informações, com vistas ao aprimoramento do diagnóstico institucional, o acompanhamento integrado e mais próximo das ações em curso, e prestação de contas à sociedade.
A Reag e o Banco Master não irão comentar o assunto.

