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“Migalhas e só protagonistas de novela”


Ator deixa legado valioso no teatro e personagens importantes na teledramaturgia

21 mar
2026
– 14h49

(atualizado às 14h50)

A morte de Juca de Oliveira, aos 91 anos, encerra uma das mais respeitadas carreiras artísticas do Brasil. 

Além de ator, autor, diretor e produtor potente, ele era um ativista das artes e não tinha medo de polemizar sobre temas sensíveis, como a Lei Rouanet.

“Sou absolutamente contra, a despeito das razões pelas quais ela tenha sido criada, louváveis”, afirmou na Jovem Pan, anos atrás. 

“Não se dá dinheiro a artista. O artista ganha o seu dinheiro. Essa é a razão pela qual ele avança”, explicou. 

“Apoios, sim, mas com independência ideológica. Quando dão migalhas acaba o entusiasmo.”

Filiado ao Partido Comunista, Juca criticava o departamento de marketing das empresas que usam o recurso de renúncia fiscal da Rouanet para investir em espetáculos. 

“Exigem os protagonistas de novelas. Como ficam os outros atores? Desaparecem!”

Sabe-se que as grandes marcas querem associar sua imagem quase exclusivamente a peças de teatro com elenco de celebridades, o que deixa a maioria dos atores que não faz TV sem acesso aos benefícios da lei.




Juca de Oliveira se dividia entre a TV e o teatro; nos palcos, fazia peças com fortes críticas à sociedade brasileira

Juca de Oliveira se dividia entre a TV e o teatro; nos palcos, fazia peças com fortes críticas à sociedade brasileira

Foto: Reprodução/TV Cultura

Um dos maiores sucessos do ator nos palcos foi ‘Caixa 2’, sobre um banqueiro desonesto numa operação bancária atrapalhada. Uma crítica ao capitalismo selvagem e à roubalheira.

Juca de Oliveira também abordou a falta de ética em ‘Mãos Limpas’ e ‘Baixa Sociedade’, outros espetáculos que lotaram teatros.

Na TV, seu personagem mais popular foi o Dr. Albieri, cientista responsável pela cópia genética humana em ‘O Clone’.

Será lembrado também por alguns vilões, a exemplo de Santiago, o pai bandido de Carminha em ‘Avenida Brasil’.

A cena mais impactante de Juca numa novela aconteceu quando seu personagem João Gibão revelou ter asas e voou no último capítulo de ‘Saramandaia’, em 1976. O realismo fantástico foi usado para dar liberdade ao homem que fugia de homens armados



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