Um novo estudo publicado na Proceedings of the Royal Society B mostra que lacunas de conhecimento afetam grupos de animais menos visíveis e igualmente essenciais na maior floresta tropical do planeta, a Amazônia.
As moscas sarcosaprófagas, utilizadas como objeto central do estudo, utilizam a matéria orgânica animal e são essenciais para o funcionamento dos ecossistemas, para a saúde pública e para a ciência forense.
Segundo o estudo, a Amazônia ainda tem sua biodiversidade pouco conhecida do ponto de vista científico. O esforço dedicado às moscas sarcosaprófagas é desigual no território amazônico, concentrando-se principalmente em áreas mais acessíveis, próximas aos grandes rios da região.
Utilizando 8.244 registros de ocorrência de moscas e aprendizado de máquina, a pesquisa mapeou a distribuição do conhecimento em três níveis: famílias, as espécies mais bem amostradas e um modelo nulo, que simula uma “Amazônia idealmente amostrada”, na qual todas as áreas teriam a mesma probabilidade de serem estudadas.
As análises revelaram que aproximadamente 40% das áreas florestadas apresentaram conhecimento científico inferior a 10%. Em contrapartida, 80% da região se alinhou às expectativas do modelo nulo.
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O estudo indica que a acessibilidade é um dos principais fatores que orientam o esforço de pesquisa na Amazônia. Estradas, rios, cidades e a proximidade de centros de pesquisa, onde estão concentrados os especialistas de diferentes grupos, facilitam a coleta de dados.
Regiões mais afastadas ainda são praticamente desconhecidas para a ciência, o que indica que o investimento é feito de forma desproporcional, dedicando esforços onde já é mais fácil de chegar e realizar coletas.
Com esses resultados, a pesquisa reforça que não basta intensificar o esforço de pesquisa nos mesmos locais para preencher essas lacunas de conhecimento. Também é fundamental investir em expedições direcionadas a áreas distantes e historicamente negligenciadas.

