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Os Testamentos é a melhor surpresa do ano e já tem cara de Emmy 2026


Tem séries que a gente começa já esperando gostar. Outras, a gente assiste quase no automático, mais por curiosidade do que por empolgação. Com Os Testamentos (The Testaments), eu fui exatamente assim. Depois de tantos anos acompanhando The Handmaid’s Tale, a sensação que eu tinha era de que aquele universo já tinha dito tudo o que precisava dizer.

Só que não. O que mais me impressionou em Os Testamentos foi justamente a coragem de não repetir a fórmula. Em vez de insistir no ponto de vista das Aias, a série muda completamente o foco e passa a olhar para uma nova geração dentro de Gilead.

E essa escolha, que poderia ser arriscada, acaba sendo o grande acerto da produção. Porque, pela primeira vez, a gente não está só vendo o sistema funcionando, mas entendendo como ele se sustenta ao longo do tempo.

Os Testamentos traz um novo olhar que renova completamente Gilead

os testamentos varias temporadas
Imagem: Disney+

A ideia básica da série Os Testamentos é acompanhar a história das filhas dos Comandantes de Gilead, dentro de um ambiente que lembra quase um internato. E é desconcertante ver algumas coisas.

Existe uma aparência de ordem, de disciplina, até de cuidado, mas tudo isso esconde uma estrutura profundamente perturbadora. Aliás, o mais interessante é que a série não precisa forçar o choque o tempo todo. Ela constrói esse incômodo aos poucos, deixando o espectador perceber sozinho o que está errado ali.

Ao mesmo tempo, The Testaments acerta muito no ritmo. Uma das coisas que me afastou um pouco das últimas temporadas de The Handmaid’s Tale foi o peso constante, aquela sensação de que cada episódio exigia um esforço emocional grande demais.

Aqui, a narrativa é mais ágil, mais envolvente, com uma construção que flerta com o suspense e até com elementos de thriller. Em vários momentos, a sensação é de que a história está sempre avançando, sempre revelando algo novo, e isso muda completamente a forma como a gente se conecta com a série.

Um elenco que sustenta a nova fase da história

image 1 36 - Os Testamentos é a melhor surpresa do ano e já tem cara de Emmy 2026image 1 36 - Os Testamentos é a melhor surpresa do ano e já tem cara de Emmy 2026

Esse novo olhar também se reflete no elenco. A escolha de colocar personagens mais jovens no centro da história funciona muito bem porque traz uma camada diferente para o universo de Gilead.

A interpretação de Chase Infiniti como Agnes, por exemplo, tem uma força silenciosa que cresce ao longo dos episódios. Ela não entrega tudo de imediato, e talvez seja justamente por isso que a jornada da personagem se torna tão interessante de acompanhar. É uma construção gradual, cheia de conflitos internos, que faz sentido dentro daquele mundo.



E quando Ann Dowd aparece como Tia Lydia, fica claro como a série consegue equilibrar o novo com o que já funcionava antes. Existe um peso na presença dela que conecta diretamente com a história original, e isso reforça a sensação de continuidade sem parecer repetição.

Já a participação de Elisabeth Moss como June surge quase como um lembrete de tudo que já foi construído, trazendo de volta aquela carga emocional que marcou o início da franquia.

Por que Os Testamentos já desponta como favorita ao Emmy

Outro ponto que me chamou atenção foi a estética. Durante muito tempo, The Handmaid’s Tale apostou em uma identidade visual mais fechada, mais pesada, que ajudava a construir o clima da narrativa, mas que também acabou se tornando previsível.

Em Os Testamentos, existe uma mudança perceptível nisso. A série trabalha com mais luz, mais cor, criando um contraste interessante entre a aparência daquele ambiente e o que ele realmente representa. E esse contraste, longe de suavizar a história, torna tudo ainda mais desconfortável de um jeito mais sutil.

O que me faz olhar para Os Testamentos como uma das melhores séries do ano não é só a qualidade técnica ou as boas atuações. É a sensação de que ela entendeu exatamente o que precisava fazer para continuar relevante. Em vez de ampliar o que já existia, ela escolhe mudar o ponto de vista, renovar o olhar e, com isso, dar um novo fôlego para um universo que já corria o risco de se esgotar.

E é justamente por isso que, pensando em premiações, ela me parece uma aposta muito forte para o Emmy 2026. Existe um histórico por trás, existe reconhecimento da indústria, mas principalmente existe essa percepção de renovação, de que a série conseguiu sair de um lugar confortável e ainda assim manter sua identidade. Isso costuma pesar bastante quando a disputa começa a ficar mais acirrada.

No fim das contas, o que mais ficou pra mim é que Os Testamentos não tenta ser maior do que The Handmaid’s Tale, nem competir diretamente com ela. Ela simplesmente encontra um novo caminho dentro do mesmo universo. E talvez seja exatamente isso que faz a série funcionar tão bem.



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