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The Boroughs | Série da Netflix é uma “Stranger Things” com idosos


Produzida pelos irmãos Duffer, criadores de Stranger Things, The Boroughs chega à Netflix claramente tentando capturar aquela velha fórmula de “grupo improvável enfrentando monstros” que transformou Stranger Things num fenômeno mundial. Só que existe uma diferença importante aqui: em vez de adolescentes andando de bicicleta, a série coloca idosos no centro da aventura.

E honestamente? Essa decisão acaba sendo justamente o que torna The Boroughs muito mais interessante do que parecia nos trailers.

A série troca adolescentes por idosos, e acerta nisso

A história se passa numa comunidade de aposentados isolada no Novo México chamada The Boroughs, um lugar aparentemente perfeito, cheio de campos de golfe, ruas tranquilas e aquela falsa sensação de paz típica de cidades “boazinhas demais para serem normais”. Desde o começo, a série deixa claro que existe algo errado ali, mas o mais interessante é a maneira como usa seus protagonistas mais velhos para explorar esse mistério.

Em vez de transformar idade em piada ou limitação, a série trata seus personagens como pessoas experientes, teimosas, inteligentes e emocionalmente marcadas pela vida. Isso faz bastante diferença porque o grupo principal acaba tendo uma dinâmica muito mais humana do que simplesmente repetir o modelo de Stranger Things com outro elenco.

Alfred Molina, por exemplo, praticamente carrega a série inteira nas costas como Sam Cooper, viúvo rabugento que se muda para The Boroughs contra a própria vontade e lentamente descobre que aquela comunidade funciona quase como uma prisão dourada. Molina entrega uma atuação excelente justamente porque nunca transforma Sam num personagem caricato. Ele é amargurado, difícil e emocionalmente cansado, mas ainda profundamente humano.

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Os monstros lembram Stranger Things… mas a série não quer ser terror

Quem entrar esperando horror pesado provavelmente vai se decepcionar um pouco. Embora existam criaturas assustadoras e momentos tensos, The Boroughs claramente prefere trabalhar emoção e mistério acima do medo puro.

Os monstros possuem visual bem inspirado naquela estética clássica da Amblin e dos filmes de Spielberg dos anos 80, quase como uma mistura entre Stranger Things e Cocoon. A série revela que essas criaturas se alimentam de fluido cerebral humano e conseguem produzir uma espécie de “soro da juventude”, algo extremamente valioso para os líderes da comunidade.

Só que o foco nunca está apenas nos monstros.

Na realidade, The Boroughs segue muito aquela estrutura clássica de “cidade pequena escondendo um segredo sombrio”, onde os humanos acabam sendo tão perigosos quanto as criaturas escondidas no subterrâneo.



O grande destaque é o coração da história

O que realmente faz The Boroughs funcionar é o lado emocional.

A série trabalha o luto de Sam de maneira surpreendentemente sensível. Depois da morte da esposa, ele chega à comunidade completamente perdido, carregando a sensação de que sua vida basicamente terminou. Conforme os episódios avançam, a série mostra como o personagem continua vendo “fantasmas” emocionais da mulher em momentos cotidianos, além da dificuldade brutal de começar uma nova fase da vida quando tudo parece vazio.

E honestamente? Esse acaba sendo o diferencial da produção.

Enquanto muita série sci-fi atual tenta viver apenas de mistério e cliffhanger, The Boroughs desacelera em vários momentos para explorar solidão, envelhecimento, amizade e medo de ser esquecido.

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Vale assistir The Boroughs?

Sim, principalmente para quem gosta de séries com aquela energia clássica de aventura misteriosa dos anos 80.

Só que é importante ajustar as expectativas. The Boroughs não tem o mesmo impacto de Stranger Things e nem tenta reinventar o gênero. Em vários momentos, a série realmente parece previsível porque utiliza estruturas narrativas muito familiares, especialmente a ideia da “cidade perfeita escondendo segredos monstruosos”.

Ainda assim, o elenco excelente, o clima nostálgico e o foco emocional fazem a produção funcionar melhor do que muitos derivados recentes da fórmula criada pelos próprios irmãos Duffer.

Além disso, existe um charme genuíno em ver idosos assumindo o papel de caçadores de monstros enquanto dirigem carrinhos de golfe em vez de bicicletas.

The Boroughs tem cara de renovação?

Provavelmente. A primeira temporada encerra boa parte da história de maneira satisfatória, mas claramente deixa espaço para continuação. O último episódio apresenta novas pistas e sugestões de que os mistérios da comunidade ainda estão longe de terminar, algo que a Netflix certamente deve explorar caso a audiência responda bem.

No fim das contas, The Boroughs talvez não tenha a magia completa dos clássicos que tenta homenagear, mas ainda assim entrega uma mistura divertida, emocional e bastante carismática de ficção científica, mistério e aventura. E para quem sente falta daquele estilo Spielberg/Amblin mais caloroso e humano, a série certamente tem muito mais acertos do que erros.



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