A nova série Erros Épicos, da Netflix, chega com uma proposta que parece simples à primeira vista, mas carrega uma construção bem mais interessante por trás. Criada e estrelada por Dan Levy, a produção marca o retorno do criador após o sucesso de Schitt’s Creek, e já nasce cercada de expectativa justamente por apostar em algo diferente.
Aqui, a ideia não é reinventar a comédia. É bagunçar completamente o gênero.
Erros Épicos mistura comédia familiar com crime organizado
A base da história é tão absurda quanto eficiente. A série acompanha dois irmãos completamente despreparados, Nicky e Morgan, que tentam realizar um roubo para ajudar a avó doente. O problema é que nada sai como planejado, e esse erro inicial acaba jogando os dois diretamente no mundo do crime organizado.
A partir desse ponto, a série encontra sua identidade.
Os protagonistas passam a ser chantageados por criminosos, obrigados a cumprir missões cada vez mais perigosas, mesmo sem qualquer habilidade para lidar com esse tipo de situação. E é justamente essa incompetência que move a narrativa, criando um caos constante que mistura tensão e humor.
A ideia de Erros Épicos nasceu de uma comédia caótica e disfuncional
Por trás de Erros Épicos, existe uma proposta bem clara de Dan Levy: explorar relações familiares dentro de um contexto completamente fora de controle. A série mantém o DNA emocional que marcou seus trabalhos anteriores, mas coloca esses personagens em situações muito mais extremas.
A criação também conta com a colaboração de Rachel Sennott, reforçando essa mistura entre humor ácido e situações absurdas. O resultado é uma história que não depende apenas das piadas, mas da forma como os personagens reagem ao caos ao redor. E eles reagem mal. Muito mal.


Personagens despreparados são o coração da série
Um dos grandes diferenciais de Erros Épicos está justamente na construção dos protagonistas. Nicky e Morgan não são gênios do crime, nem heróis improváveis. Eles são, simplesmente, pessoas comuns completamente perdidas. Essa escolha faz toda a diferença.
Porque, ao invés de acompanhar personagens que dominam a situação, o público vê dois irmãos que só afundam cada vez mais, mesmo tentando resolver os problemas. Cada decisão errada gera outra ainda pior, criando um efeito dominó que sustenta a narrativa. E isso torna tudo mais imprevisível.
O elenco reforça o peso da produção
Além de Dan Levy, a série traz nomes importantes como Taylor Ortega e Laurie Metcalf, que interpretam, respectivamente, Morgan e a mãe da família.
A presença de Metcalf, inclusive, reforça o lado mais familiar da história, trazendo uma camada emocional que equilibra o caos da trama principal. Ao mesmo tempo, o restante do elenco ajuda a expandir o universo, com personagens que representam diferentes níveis do submundo do crime.
E todos parecem mais preparados do que os protagonistas. O que só piora a situação.
Erros Épicos aposta em humor de situação, não só em piadas
Diferente de muitas comédias tradicionais, Erros Épicos não depende apenas de diálogos engraçados. Grande parte do humor nasce das situações em si, da tensão mal resolvida e das decisões absurdas que os personagens tomam.
O trailer da série já deixa isso evidente, mostrando momentos em que os irmãos percebem, tarde demais, o tamanho do problema em que se meteram. Seja em sequestros improvisados ou negociações desastrosas, a sensação é sempre a mesma: nada está sob controle. E essa falta de controle é o que sustenta o ritmo.
Uma produção que marca nova fase de Dan Levy
Outro ponto importante é o contexto da série dentro da carreira de Dan Levy. Erros Épicos é seu primeiro grande projeto original para a Netflix após fechar contrato com a plataforma, o que explica o investimento e a liberdade criativa.
A produção foi filmada em 2025 e chega agora, em 2026, como uma das apostas do streaming para o ano. Com oito episódios, a série já foi pensada para ser dinâmica, com histórias que se conectam e evoluem rapidamente. E isso indica uma narrativa contínua, não apenas episódica.
Erros Épicos promete ser o caos que a Netflix precisava
No fim, Erros Épicos não tenta ser sofisticada. Ela quer ser divertida, caótica e, em muitos momentos, completamente absurda.
Mas por trás desse caos existe uma estrutura bem pensada, que mistura relações familiares, decisões erradas e consequências que só aumentam com o tempo. É aquele tipo de série que cresce justamente quando tudo dá errado. E, pelo que tudo indica, vai dar muito errado. E isso é exatamente o que faz ela funcionar.

